O padre responde

 

Por que toda igreja católica tem sobre o altar a imagem de Jesus morto na cruz, sendo que Ele está vivo e reina eternamente ao nosso lado?

A pergunta é pertinente e vai ao encontro de um comentário que alguém fez outro dia, dizendo: “Que loucura elogiar a cruz que matou Jesus! É o mesmo que engrandecer a faca que matou meu irmão”.

Acredito que a cruz, assim como a faca, não causam o mal por si mesmas; o mal surge do uso que delas se faz. Quem tem intimidade com as Escrituras e já leu as Cartas de São Paulo, como eu as li, sabe que a cruz era, para os pagãos, símbolo de loucura e de escândalo (Cf 1Cor 1,23), mas para os cristãos, “força divina”, “poder de Deus” (Cf 1Cor 1,18). 

A cruz do calvário diferencia-se infinitamente da cruz dos gentios porque, para os cristãos, ela expressa o amor divino para com a humanidade. Se sou cristão e leio a Bíblia corretamente, a mesma me ensina que a cruz, que era instrumento de maldição para os judeus, converteu-se em símbolo de salvação e de amor para todos. Cristo quebrou a tabu dos pagãos, infundindo à cruz um conteúdo novo. Ela é agora, acima de tudo, símbolo de amor. Se é símbolo do amor precisa estar presente no altar.

Nenhum dos flageladores da época imaginava que Jesus estivesse na cruz por amor. Se Deus não fez o milagre de tirar Cristo da cruz, foi para dizer que a humanidade não pode ser salva a troco de louvores, de orações em línguas, de milagres e mais milagres, mas sim pelo amor gratuito de Cristo na Cruz. É assim que a cruz é exaltada por São Paulo e colocada, com destaque não só nos altares, mas em todos os lugares mais especiais onde os cristãos vivem, se reúnem e celebram. Vemo-la nos livros e revistas, nas Igrejas, escolas, famílias, repartições públicas, torres, cemitérios, etc, etc, etc ...

Cristo, abraçando a cruz por amor, converteu, realmente este símbolo de morte em instrumento de vida e salvação. Tirando, igualmente, o sentido negativo, pagão, do antigo madeiro. Deu-nos, pelo sofrimento da cruz, a maior prova de amor.

A cruz com o crucificado, lembra-nos o quanto Deus nos amou e ainda nos ama. Não existe e jamais existirá, outro símbolo mais expressivo que nos recorde, com tanta intensidade, o amor de Cristo por nós. Ela é o símbolo do amor, acima do sofrimento e da dor.

O  que  era  “escândalo para os judeus e  loucura  para  os  gentios”  (Cf 1Cor 1,23) tornou-se glória para São Paulo e para nós (Cf Gl6,14). Se a cruz é “força divina” “poder de Deus” (Cf 1Cor 1,18), por que ter pavor dela ou menosprezá-la? Por que não usá-la? Como diz São Paulo, “o escândalo da cruz já foi eliminado” (Cf Gl 5,11)

Amigo leitor(a), ao olhardes para a Cruz, com o Crucificado, exposta nas Igrejas, nas escolas, nas repartições públicas, em casas particulares, ou como objeto de devoção pessoal, vejam sempre nela o quanto Deus nos amou e nos ama. Nos diz São João em sua primeira Epístola: “Ele deu a vida por nós ... (Cf 1Jo 3,16). Também cantamos na liturgia da Missa: “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão ...”

A Tradição da Igreja nos conta que o famoso imperador romano Constantino (264-340 dC) teve esta visão, antes de uma batalha decisiva: viu no céu, uma cruz, com a seguinte inscrição: “Com este sinal vencerás”. Constantino adotou, então, a Cruz como emblema de suas tropas e obeteve a vitória. Também nós, guiados pelo sinal da Cruz, venceremos todos os perigos. Citando novamente Paulo de Tarso, termino a resposta desta pergunta, fazendo minhas, as sábias palavras do Apóstolo, que diz: “Longe esteja de mim gloriar-me a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Cf Gl 6,14).

Fonte: Bíblia Sagrada e o Livro O que o povo pergunta do Pe. Artur Betti

 

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